quinta-feira, 13 de setembro de 2012

Neurociências da violência





             Quais os principais aspectos da violência e sua relação com o sistema nervoso central? Os autores Monika Lück e Daniel Strüber colaboradores da liga Hanseática de Cientistas em Delmenhorst, Bremen (Alemanha) e Gehard Roth professor coordenador do instituto de estudos do cérebro da Universidade de Bremen publicaram um artigo que trata das raízes psicobiológicas da violência física. Os pesquisadores chegaram à conclusão de que o comportamento violento das pessoas não possui causa única (tendência inata, patologia, ambiente desfavorável ou experiências dolorosas), e sim, a combinação de fatores de risco que reforçam e se influenciam mutuamente.   

O perfil dos homens que revelam logo cedo tendência violenta mostra baixa tolerância à frustração, dificuldade em aprender regras sociais, problemas de concentração, capacidade reduzida de compreensão dos sentimentos das outras pessoas e inteligência defasada. No entanto o que mais chama atenção é a falta de contenção psíquica, que os faz passar do sentimento ao ato quase de se defender. Posteriormente, muitas vezes mostram arrependimento.

A impulsividade de criminosos violentos crônicos parece ter como base uma predisposição cerebral. Anátomo-fisiologicamente, quando comparado a indivíduos normais, o cérebro de criminosos possuem alterações fisiológicas no córtex pré-frontal e no sistema límbico. Efeitos inibitórios sobre partes do sistema límbico provém de vias hipotalâmicas e também do complexo amigdalóide. Acredita-se que pessoas violentas possuem uma desrregulação entre o córtex cerebral e o sistema límbico propriamente dito.

Contudo, quando o cérebro é originalmente afetado, desde nascença ou acometido por tumores numa fase bem precoce de vida (primeiros anos), com posterior remoção desse córtex, crianças com tumores cerebrais apresentavam distúrbios de comportamento anos mais tarde: problemas na escola, dificuldade de motivação, timidez, em algumas circunstâncias mostravam agressividade.

Os pesquisadores também avaliaram situações onde não havia a presença de crimes cometidos por impulso, por crises emocionais, mas sim crimes planejados, pensados com grande antecedência. Nestes casos, onde há um planejamento do ato agressivo, a hipótese do cérebro frontal não faz sentido, mais do que isso, o cérebro destes indivíduos parece funcionar normalmente, no entanto, esses comportamentos possivelmente mostrem relações com alterações dos circuitos neuronais envolvidos com a recompensa, e mesmo diretamente com o complexo amigdalóide. Indivíduos submetidos a agressões na infância também mostram alterações na via da recompensa bem como níveis de serotonina baixos.

Estas considerações interferem na questão: “até que ponto podemos responsabilizar alguém por seus atos agressivos?”


Retirado do site, www.sistemanervoso.com

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